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O renascer dos moscatéis de Setúbal / Vinhos de Setubal




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Vinhos: O renascer dos moscatéis de Setúbal
Nuno Miguel Silva
09 Dez 2017

Conhecidos nas cortes europeias desde o século XIII, os vinhos Moscatéis de Setúbal perderam terreno no final do século passado. Mas, desde a viragem do milénio, veio o ressurgimento, com destaque para o mais exótico Moscatel Roxo.

A comemorar 110 anos de existência como região demarcada, o Moscatel de Setúbal está em forte alta. Um renascer das cinzas que começou no início deste século e milénio, e que tem estado a contribuir para o fortalecimento da atividade da própria CVRPS – Comissão Vinícola da Região da Península de Setúbal (CVRPS).

Desde 2000, o crescimento acumulado registado pela CVRPS cifra-se em 60%, traduzindo-se este percentual num aumento de 600 mil litros de vinho produzido e comercializado neste período dos últimos 16 anos. O equivalente a um crescimento anualizado de 3,75%.

Segundo um comunicado da CVRPS, Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola da região, “nas últimas duas décadas tem havido uma forte reestruturação e investimento nas vinhas e adegas da Península de Setúbal, o que tem permitido olhar para a produção de Moscatel de Setúbal com uma perspetiva mais generalizada de médio e longo prazo”.

“Neste momento, a região conta com 19 produtores de Moscatel de Setúbal, sendo que quase todos também já produzem Moscatel Roxo de Setúbal”, sublinha Henrique Soares, acrescentando que, na transição para o século XXI, só havia três produtores de Moscatel de Setúbal.

Em 2016, os atuais produtores foram responsáveis pela certificação de 1,6 milhões de litros de vinhos com Denominação de Origem de Setúbal (Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo de Setúbal). Outro sinal do grande reflorescimento dos Moscatéis de Setúbal é atestável pelo aumento significativo da área de vinha cultivada. A atual área de vinha apta à produção de Moscatel de Setúbal é agora de 540 hectares.

Para o Moscatel Roxo, existem hoje em dia 42 hectares em produção. A evolução é impressiva, após uma replantação a bom ritmo desde o início do século, altura em que estava reduzida a um hectare apenas. A grande procura, nacional e internacional, tem ditado este ressurgimento dos Moscatéis.




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Uma preferência de Reis

Em 1907, a foi criada a Região Demarcada do Moscatel de Setúbal. No ano seguinte, foi regulamentada a disciplina de produção e comércio deste vinho generoso. Mas a história do moscatel sadino está documentada desde o século XIII. Foram várias as cortes reais na Europa que consumiram, com regularidade, este vinho licoroso.

Em 1381, o rei Ricardo II de Inglaterra mencionava a importação de Moscatel de Setúbal, talvez influenciado pelos monarcas portugueses, D. Fernando, e D. João I, Mestre de Avis, com quem assinou os primeiros tratados que deram origem à famos aliança luso-britânica, incluindo o famoso Tratado de Windsor.

No século XVII, Luís XIV, mais conhecido como o ‘Rei-Sol’, não dispensava o Moscatel de Setúbal nas faustosas festas que organizava amiúde em Versalhes.

É verdade que os vinhos moscatéis proliferam em várias partes do mundo, mas em Setúbal este vinho com forte caráter cítrico, doce e ‘compotado’, ganha uma indentidade única.

Resultado da cumplicidade entre a natureza e o homem, comum à generalidade dos vinhos, o Moscatel de Setúbal beneficia ainda de um terroir irrepetível, com uma precipitação anual de 550 a 750 mililitros e 2.200 horas de sol por ano, derramadas sobre terrenos arenosos e argilo-calcários. A frescura do Atlântico faz o resto… “Esta conjugação resulta em vinhos frescos e elegantes, simultaneamente sedosos e untuosos, em conjunto com uma acidez incisiva e intransigente que acrescenta tensão e nervo ao final de boca”, destaca um comunicado da CVRPS.

Reconhecimento internacional constante

Apesar da profusão de moscatéis por todo o mundo, o reconhecimento dos de Setúbal tem sido constante, por isso, mais meritório.

Sem esquecer a história mais secular, no registo mais recente, os Moscatéis de Setúbal têm amealhado prémios e distinções internacionais. Um dos mais prestigiados concursos internacionais deste nicho, o concurso francês ‘Muscats du Monde’, onde centenas de moscatéis estão em competição todos os anos, já colocou por três vezes um Moscatel de Setúbal ou um Moscatel Roxo de Setúbal no primeiro lugar, sem falar que mantém invariavelmente estes licorosos sadinos no ‘top 10’ do concurso.

Tal prestação gera mais procura e pode catapultar volumes de exportação para o futuro. “Este ano, voltámos a ter uma boa produção, em quantidade e qualidade. Em 2016, 85% da produção de vinhos foi para o mercado nacional e os restantes 15% para exportação”, revelou ao Jornal Económico, Henrique Soares, na passada sexta-feira, no final da sessão do III Grande Capítulo da Confraria do Moscatel de Setúbal, que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Setúbal, para comemorar os 110 anos deste generoso. Nessa ocasião, foram entronizados 39 novos confrades, tendo-se seguido um jantar comemorativo na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal.

Henrique Soares explicou ao Jornal Económico que os principais mercados externos dos Moscatéis de Setúbal são Inglaterra, Brasil e Estados Unidos.




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(fonte:jornaleconomico.sapo.pt)

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